Resposta da demanda no Brasil pode alcançar potencial de 13 GW, estima EPE

Sistema elétrico brasileiro e potencial de resposta da demanda estimado pela EPE

A resposta da demanda no Brasil pode ganhar um papel mais relevante no sistema elétrico nos próximos anos. Segundo uma estimativa da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o recurso pode disponibilizar entre 5,86 GW e 13,05 GW de potência ao Sistema Interligado Nacional (SIN).

No cenário considerado como referência, o potencial chega a 8,79 GW. Para alcançar esse resultado, a EPE considera a redução ou o deslocamento voluntário do consumo de grandes consumidores. Além disso, a análise inclui o aumento da geração própria em unidades de cogeração.

Indústrias e cogeração concentram grande parte do potencial

A resposta da demanda permite que determinados consumidores alterem voluntariamente seu consumo quando o sistema elétrico precisa de maior flexibilidade. Dessa forma, o ONS pode utilizar essa capacidade em horários de maior necessidade.

Entre os consumidores industriais, a EPE identificou potencial de 2,37 GW no cenário conservador. Já o cenário de referência chega a 4,13 GW. Por outro lado, a projeção otimista alcança 6,26 GW.

A análise considera setores como aço, alumínio, cimento, cloro, papel, ferroligas e data centers. Além disso, a EPE identificou maior disposição das indústrias para realizar reduções durante períodos mais longos.

Esse comportamento facilita o planejamento das empresas. Ao mesmo tempo, reduz os riscos de interrupções nos processos produtivos.

A cogeração também apresenta um potencial significativo. O cenário conservador aponta 3,49 GW. Já o cenário de referência chega a 4,66 GW. Por fim, a projeção otimista alcança 6,79 GW.

Nesse caso, a análise considera empreendimentos que utilizam bagaço de cana, resíduos de madeira, biogás e gás de processo. A cogeração no setor de papel e celulose também entra no levantamento.

EPE propõe mudanças para medir e remunerar a resposta da demanda

Para ampliar a participação dos consumidores, a EPE propõe mudanças na metodologia de cálculo da linha base. Esse indicador mostra quanto um consumidor teria utilizado caso não participasse de um evento de resposta da demanda.

Atualmente, o modelo utiliza dados de períodos anteriores. Entretanto, a EPE considera que essa referência pode apresentar defasagens. Por isso, recomenda a metodologia chamada “Maior 5 de 10”.

Nesse modelo, o cálculo utiliza a média dos cinco maiores consumos entre os dez últimos dias elegíveis. Além disso, a proposta prevê um ajuste intradiário limitado a 20% do valor calculado.

A EPE também recomenda um intervalo de duas horas entre o período usado para o ajuste e o início do despacho. Dessa maneira, o modelo busca evitar aumentos artificiais no consumo antes de um acionamento.

Para os agregadores de carga, a proposta prevê cálculos individuais. Primeiro, o sistema calcularia a linha base de cada consumidor. Depois, consolidaria os resultados.

Além disso, os cogeradores utilizariam medidores separados. Um equipamento registraria a energia importada da rede. Outro mediria a produção da geração própria.

Novo modelo pode ampliar a participação dos consumidores no mercado

A EPE também propõe dividir a remuneração em duas parcelas. A primeira seria fixa e remuneraria a disponibilidade do consumidor. Já a segunda seria variável e ocorreria somente durante os acionamentos.

Nesse modelo, o CVU teria uma função importante. O indicador representaria os custos relacionados à redução ou ao deslocamento da produção. Também poderia incluir gastos com combustível e custos associados à interrupção e retomada de processos industriais.

Além disso, o CVU ajudaria a definir a ordem de despacho. Recursos com menor custo seriam acionados primeiro. Assim, o mecanismo seguiria uma lógica semelhante à utilizada para outras fontes de geração.

A EPE também sugere diferentes formatos de contrato. Os contratos mais curtos teriam duração aproximada de três meses. Eles atenderiam principalmente atividades sazonais, como a cogeração com bagaço de cana.

Por outro lado, contratos de cinco anos ou mais poderiam atender consumidores que precisam investir em flexibilidade. Entre esses investimentos estão sistemas de estocagem, armazenamento térmico, substituição de máquinas e modernização de equipamentos.

Além disso, os produtos poderiam permitir despachos de uma a quatro horas. O número de ativações poderia variar entre duas e 20 por mês. O aviso prévio também poderia variar entre 15 minutos e 24 horas.

Por fim, a EPE recomenda incluir a resposta da demanda nos Leilões de Reserva de Capacidade. Atualmente, o recurso aparece nos estudos de expansão, mas não participa diretamente desses leilões.

Com a mudança proposta, a resposta da demanda também poderia receber um CVU próprio nos modelos de despacho. Dessa forma, o recurso poderia integrar a ordem de mérito e participar da formação do Custo Marginal de Operação (CMO).

Fonte dos dados: Canal Solar. Matéria “EPE estima potencial de até 13 GW para resposta da demanda no Brasil”, publicada em 21 de setembro de 2026.

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