Enquanto Brasil e Noruega se enfrentam nos gramados, existe outra comparação que também chama a atenção. A matriz elétrica da Noruega é considerada uma das mais renováveis do mundo. Em 2025, o país alcançou uma produção recorde de 161 TWh de eletricidade. Além disso, encerrou o ano com um superávit histórico de 23 TWh. Esse resultado é fruto de décadas de investimentos em infraestrutura, planejamento energético e fontes renováveis.
Mais do que produzir energia limpa, a Noruega demonstra como diferentes tecnologias podem atuar de forma complementar. Dessa maneira, o país garante maior segurança no abastecimento e aumenta a eficiência do sistema elétrico.
A hidreletricidade continua sendo a base da matriz elétrica da Noruega
A hidreletricidade é o principal pilar da matriz elétrica da Noruega. Atualmente, o país possui aproximadamente 1.791 usinas hidrelétricas em operação. Juntas, elas representam cerca de 88% da capacidade instalada de geração.
Além da elevada capacidade de geração, essas usinas oferecem uma vantagem estratégica. O país conta com mais de 1.100 reservatórios capazes de armazenar aproximadamente 87 TWh de energia potencial. Assim, é possível ajustar rapidamente a produção conforme a demanda.
Esse modelo também beneficia outras fontes renováveis. Quando a produção de energia solar ou eólica varia, os reservatórios ajudam a equilibrar o sistema. Como resultado, a rede elétrica se torna mais estável e confiável.
Energia eólica e integração com a Europa fortalecem o sistema elétrico
Enquanto a hidreletricidade continua predominando, a energia eólica amplia sua participação ano após ano. Hoje, a Noruega possui cerca de 65 parques eólicos. Ao todo, eles somam aproximadamente 5 GW de capacidade instalada e geram cerca de 16 TWh por ano.
Além disso, a integração internacional é outro diferencial importante. O país mantém 17 interligações elétricas com mercados europeus. Entre elas estão conexões com Dinamarca, Alemanha, Holanda e Reino Unido.
Dessa forma, a Noruega pode exportar eletricidade quando existe excedente de geração. Por outro lado, também consegue importar energia quando é mais vantajoso preservar seus reservatórios hidrelétricos. Consequentemente, o sistema ganha ainda mais flexibilidade.
A energia solar também ganha espaço na Noruega
Mesmo enfrentando longos períodos de inverno, a energia solar continua avançando na Noruega. Ainda que a incidência solar seja menor do que em países como o Brasil, a fonte fotovoltaica apresenta crescimento constante.
Segundo a Norwegian Water Resources and Energy Directorate (NVE), o país já ultrapassa 700 MW de capacidade solar instalada. Atualmente, esse crescimento é impulsionado principalmente pelos sistemas residenciais, comerciais e industriais.
Ao mesmo tempo, a eletrificação dos transportes, da indústria e a expansão dos data centers devem aumentar a demanda por eletricidade nos próximos anos. Nesse contexto, a energia solar surge como uma importante fonte complementar à hidreletricidade.
Por fim, o exemplo da Noruega mostra que a transição energética depende de planejamento e diversificação. A combinação entre hidreletricidade, energia eólica e energia solar fortalece a segurança energética. Além disso, prepara o sistema elétrico para atender às necessidades do futuro de forma sustentável.