As tarifas de energia para empresas devem ganhar ainda mais atenção no planejamento financeiro de 2027. A projeção média de reajuste para 2026 chegou a 9,4%. Esse percentual supera a inflação estimada de aproximadamente 5%.
Além disso, os aumentos não acontecem de forma igual em todo o país. Cada concessionária possui tarifas, condições e perfis de consumidores diferentes. Por isso, empresas com unidades em várias regiões precisam analisar cada operação individualmente.
Esse cenário ganha ainda mais importância para redes de varejo, indústrias e grupos empresariais. Afinal, pequenas diferenças podem representar milhões de reais ao longo de um ano.
Reajustes variam entre concessionárias e regiões
A diferença entre as concessionárias é um dos principais pontos que as empresas precisam considerar. Um único percentual médio pode distorcer o orçamento de grupos que possuem unidades em diferentes estados.
Em agosto, por exemplo, a Celesc, em Santa Catarina, recebeu aprovação para um reajuste médio de 10,82%. Para consumidores de alta tensão, o aumento chegou a 14,16%.
Já a Neoenergia Elektro, que atende municípios dos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul, teve um reajuste médio de 9,58%. Entretanto, o impacto foi diferente para consumidores de alta tensão. Nesse grupo, o reajuste ficou em 4,10%.
Esse dado merece atenção. A diferença entre o reajuste médio da Neoenergia Elektro e o percentual aplicado à alta tensão mostra como o perfil do consumidor interfere diretamente no planejamento.
No Maranhão, a Equatorial registrou reajuste médio de 5,76%. Para consumidores de alta tensão, porém, o aumento chegou a 8,68%.
Por isso, uma empresa não deve simplesmente aplicar um índice nacional sobre toda a sua despesa. É necessário considerar a concessionária responsável pelo atendimento de cada unidade, a modalidade tarifária e o perfil de consumo.
O impacto financeiro pode ser expressivo. Uma rede com 100 estabelecimentos, por exemplo, poderia gastar R$ 24 milhões por ano se cada unidade tivesse uma despesa média de R$ 20 mil por mês.
Nesse cenário, um reajuste de 10% acrescentaria R$ 2,4 milhões aos custos anuais. Isso aconteceria mesmo sem qualquer aumento no consumo de energia.
Mercado livre também exige atenção aos contratos
A pressão sobre os custos não está limitada ao mercado regulado. O mercado livre de energia também apresentou aumento relevante nos preços de contratação.
Segundo levantamento da Abraceel, os contratos de longo prazo subiram 59% entre janeiro de 2024 e março de 2026. O preço passou de R$ 147 para R$ 233/MWh.
Nos contratos trimestrais, a alta foi ainda maior. Os preços avançaram 121%, passando de R$ 143 para R$ 317/MWh.
Além disso, o PLD, referência para o mercado de curto prazo, acumulou alta de 84%. O indicador chegou a R$ 236/MWh no período analisado.
Assim, a contratação de energia precisa considerar mais do que o preço apresentado no momento da negociação. Prazo, volume contratado e perfil de consumo também influenciam o resultado.
Para empresas com várias unidades, esse cuidado se torna ainda mais importante. A abertura de novas lojas, mudanças de turno e oscilações sazonais podem alterar o consumo.
Consequentemente, uma empresa pode contratar determinado volume e consumir menos ou mais do que o previsto. Essa diferença pode gerar custos adicionais e aumentar a exposição financeira.
O mercado livre também continua crescendo. No primeiro trimestre de 2026, 4.827 consumidores migraram para esse ambiente. Em agosto, outras 811 migrações foram registradas.
Atualmente, consumidores de média e alta tensão podem escolher seus fornecedores. Além disso, a abertura para consumidores comerciais e industriais de baixa tensão está prevista para novembro de 2027.
Portanto, a possibilidade de migração tende a ampliar as alternativas de contratação. Porém, a mudança precisa considerar o custo total da operação e os riscos envolvidos.
Como preparar o orçamento de energia para 2027?
O planejamento para 2027 deve considerar diferentes variáveis. Além das tarifas e contratos, as bandeiras tarifárias também podem alterar os custos ao longo do ano.
Em outubro de 2026, a ANEEL anunciou bandeira verde. A decisão ocorreu após cinco meses consecutivos de bandeira amarela. Com a bandeira verde, os consumidores não tiveram cobrança adicional pelo mecanismo.
Ainda assim, a situação pode mudar em 2027. Por isso, as empresas precisam trabalhar com diferentes cenários de preços.
Uma das principais recomendações é analisar pelo menos 12 meses de consumo de cada unidade. Dessa forma, a empresa consegue identificar padrões e períodos de maior demanda.
Também é importante revisar contratos próximos do vencimento. A revisão permite avaliar novas condições e evitar a manutenção de contratos pouco adequados ao perfil atual de consumo.
Outro ponto importante é a demanda contratada, principalmente para consumidores de média e alta tensão. Quando a demanda contratada fica acima da necessidade operacional, a empresa pode assumir custos recorrentes desnecessários.
Por outro lado, ultrapassar os limites contratados também pode gerar cobranças adicionais. Portanto, o acompanhamento precisa considerar tanto o excesso de contratação quanto o risco de ultrapassagem.
Nesse contexto, as tarifas de energia para empresas não devem ser tratadas como uma despesa simplesmente corrigida pela inflação. O custo final depende de diversos fatores.
Assim, empresas com unidades em diferentes regiões devem acompanhar cada operação individualmente. A concessionária, a modalidade tarifária, o consumo e o contrato podem alterar significativamente o resultado.
Para 2027, esse acompanhamento pode ajudar as empresas a reduzir riscos e encontrar oportunidades de economia. Além disso, permite que as áreas financeira, operacional e energética trabalhem com informações mais precisas.
Fonte dos dados: Canal Solar. Matéria “Alta nas tarifas de energia exige atenção das empresas no planejamento para 2027”, publicada em 26 de outubro de 2026.